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ALGUNS TRABALHOS

A Vida Ordinária de Cristina leva o conflito entre mãe e filha ao palco, de graça, em Águas Claras

 Com Adriana Nunes e Luísa Rodrigues no elenco, espetáculo faz temporada gratuita em novembro no Teatro dos Ventos. Estudantes da rede pública do DF têm transporte gratuito

Uma mãe precisa lidar com o gênero da filha, e a relação das duas entra em conflito. É essa a história de “A Vida Ordinária de Cristina”, peça que faz temporada gratuita no Teatro dos Ventos, em Águas Claras, nos dias 10, 11, 12, 17 e 18 de novembro. As sessões dos dias 11 e 18 são abertas ao público geral, às 20h. 

O texto é de Alexandre Ribondi, diretor, dramaturgo e ator que já escreveu e montou dezenas de espetáculos sobre a temática LGBTQIA+ e é colaborador da história cultural do DF. A peça fala dos direitos e das garantias básicas das pessoas LGBTQIA+ e dos obstáculos que elas enfrentam na política e na sociedade de hoje. A proposta é levar informação sobre o assunto ao público, com cuidado. A direção é de Alessandro Brandão, iluminação e trilha sonora original de Marcello Linhos, assistente de direção Alina Lyra, cenário e figurino por Roustang Carrilho. 



Para a atriz Adriana Nunes, o tema chegou perto de casa. Ela começou a montar o espetáculo quando passava por uma situação parecida na própria família. "Eu tinha também que compreender, aprender e aceitar as diversidades", conta. Isso deixou o processo mais fácil, mas exigiu que ela mergulhasse mais fundo nos sentimentos, nas apreensões e nos conflitos que vêm com as mudanças.

Das 12 apresentações, dez são exclusivas para estudantes de escolas públicas do DF, com transporte gratuito. Cada uma inclui material didático, uma palestra de mediação pedagógica e um debate entre elenco e público depois da peça. 

A ideia, segundo Adriana, é ampliar o conhecimento sobre o tema. "Muitas vezes não aceitamos porque não compreendemos alguma coisa. É preciso que o respeito a qualquer pessoa e suas escolhas esteja garantido", diz. O debate tem peso nisso. "Mais do que colocar as questões, é gratificante escutar o que os estudantes têm a dizer", afirma. Segundo a atriz, muitos se identificam com a situação que veem em cena, e alguns podem ajudar quem passa por uma transição e não tem com quem conversar.

A temporada tem sessões com interpretação em Libras e uma com audiodescrição. A classificação indicativa é de 14 anos. O projeto tem apoio do FAC (Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal), da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do DF.

Ficha Técnica:

Marcelo Calafiori - Coordenador de produção

Luísa Rodrigues - Atriz 

Adriana Nunes - Atriz

Alessandro Brandão - Direção cênica

Marcello Linhos - Coordenação técnica, trilha sonora original e iluminação

Assistência de Direção e mediação - Alina Lyra

Texto - Alexandre Ribondi

Fotografia - Nick Elmoor

Cenário e figurino - Roustang Carrilho

Direção de Palco - Edézio Araújo 

 C1 arte e entretenimento - Gestão administrativa

Paula Jacobson – Produção 

Camila Maxi - Assessoria de Comunicação 

Lunares Ayla - Social Media


Serviço

A Vida Ordinária de Cristina

Local: Teatro dos Ventos, Águas Claras

Entrada: gratuita

Classificação indicativa: 14 anos

Sessões:

10/11: 15h e 20h

11/11: 15h e 20h (aberta ao público)

12/11: 9h30 e 15h

17/11: 15h e 20h

18/11: 15h e 20h (aberta ao público)


Espetáculo A Tecelã das Noites leva às escolas do DF reflexão sobre violência contra as mulheres


Inspirada em As Mil e Uma Noites, montagem terá oito apresentações para estudantes no Jardins Mangueiral, acompanhadas de palestras e debates sobre relações de gênero

Uma história contada há mais de mil anos pode ajudar a compreender questões que ainda atravessam as relações afetivas na atualidade. É a partir dessa perspectiva que o espetáculo A Tecelã das Noites realiza uma temporada de oito apresentações para estudantes do Distrito Federal, de 3 a 6 de novembro, no Centro Educacional Jardins Mangueiral. Inspirada na narrativa central da obra As Mil e Uma Noites, a montagem utiliza o teatro, a música ao vivo e o universo fantástico para estimular reflexões sobre o feminicídio e as diferentes formas de violência contra as mulheres.

A programação será acompanhada de um programa educativo que inclui material didático impresso para os estudantes, oito palestras de mediação antes das sessões e oito debates entre a equipe artística e o público após as apresentações. A iniciativa conta com recursos do Fundo de Apoio à Cultura (FAC) da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal e busca criar oportunidades para que adolescentes e jovens discutam as relações de gênero e reconheçam como dinâmicas de poder e comportamentos abusivos podem se manifestar no cotidiano.

Dirigido e protagonizado por Sulian Vieira, que assume a função de atriz e narradora, o espetáculo também conta com César Lignelli, responsável pela direção, atuação e música executada ao vivo. A montagem aposta em uma narrativa que combina humor, situações absurdas, fantasia e reviravoltas, criando uma experiência artística que convida o público a refletir sobre questões sociais sem abrir mão do envolvimento e da surpresa.

 

Narrativa milenar para discutir questões atuais

Em As Mil e Uma Noites, Shárrazad decide se casar com o rei Sharriar, que, após descobrir a traição da esposa, passa a desposar uma mulher diferente a cada noite e ordenar sua execução ao amanhecer. Para interromper a sequência de mortes, ela começa a contar histórias ao soberano, interrompendo cada narrativa no momento decisivo e despertando sua curiosidade para a noite seguinte. Com inteligência e criatividade, Shárrazad prolonga a própria vida e busca transformar a conduta do rei.

Para Sulian Vieira, a escolha dessa história está relacionada à possibilidade de observar as estruturas sociais a partir de uma distância temporal e geográfica. “Surgiu da necessidade de propor formas de desconstruir os machismos em nossas sociedades”, explica a artista, ao falar sobre a criação do espetáculo e a decisão de levá-lo às escolas.

A obra As Mil e Uma Noites reúne narrativas ligadas às tradições orais da Índia, da China, da Pérsia e da Arábia, difundidas, entre outros caminhos, pelas Rotas da Seda. Ao recuperar esse repertório, a montagem estabelece uma ponte entre diferentes culturas e épocas, propondo uma reflexão sobre a permanência das relações de poder abusivas entre homens e mulheres.

“Talvez porque as relações de poder abusivas de homens em relação a mulheres atravessem tempos, espaços e culturas”, observa Sulian. Para ela, reconhecer essa continuidade pode ajudar o público a compreender que a violência de gênero não é uma questão inevitável ou exclusivamente individual, mas também está relacionada a construções sociais que podem ser questionadas e transformadas.

 

Teatro como espaço de escuta e reflexão

A proposta de levar o espetáculo ao ambiente escolar considera também a dificuldade de abordar a violência diretamente, sobretudo entre adolescentes e jovens. Medo, vergonha e outras emoções podem dificultar conversas sobre experiências pessoais e relacionamentos. Nesse contexto, a ficção oferece uma referência compartilhada para que o público examine situações de violência sem precisar partir, necessariamente, de relatos individuais.

Na montagem, as histórias contadas por Shárrazad funcionam como espelhos capazes de revelar a tirania do próprio rei. Personagens que inicialmente parecem distantes de sua realidade passam a evidenciar diferentes formas de exercer, sofrer ou reproduzir relações de poder. A estratégia permite que a plateia observe essas dinâmicas e estabeleça conexões com o presente.

“Entendemos que o conto viabilize uma situação a partir da qual possamos falar de violência com segurança e nos referenciar, enquanto grupo, nas situações narradas”, afirma a diretora.

As palestras de mediação educativa e os debates realizados após as sessões ampliam essa proposta, criando momentos de diálogo entre os estudantes e a equipe artística. A expectativa é que a experiência ultrapasse o tempo de apresentação e estimule perguntas sobre comportamentos, afetos e relações de gênero.

A encenação também busca equilibrar o peso do tema com a dimensão lúdica das narrativas. A música ao vivo, composta e executada por César Lignelli, integra a construção dramática e cria atmosferas que transitam entre tensão, leveza, festividade e humor. Já a atuação de Sulian Vieira explora diferentes vozes e perspectivas, conduzindo o público por histórias que se desdobram umas dentro das outras.

“Ao longo do tempo, elas transformam-se em espelhos das ações de Sharriar”, explica Sulian sobre as narrativas de Shárrazad. A diretora espera que o público se divirta e se surpreenda com o absurdo e as reviravoltas das histórias, levando consigo a curiosidade necessária para refletir sobre a presença das violências nas relações cotidianas.

A Tecelã das Noites contará ainda com uma sessão com interpretação em Libras, ampliando os recursos de acessibilidade oferecidos aos estudantes.

 

SERVIÇO

Espetáculo: A Tecelã das Noites — temporada para estudantes
Data: 3 a 6 de novembro de 2026
Local: Centro Educacional Jardins Mangueiral
Endereço: Praça de Atividades 2, lote 6, Jardins Mangueiral, Distrito Federal.
Horários: duas sessões diárias, às 13h30 e às 16h15.
Não recomendado para menores de 14 anos.

Programação:
3 de novembro (terça-feira): 13h30 e 16h15.
4 de novembro (quarta-feira): 13h30 e 16h15 — sessão das 16h15 com interpretação em Libras.
5 de novembro (quinta-feira): 13h30 e 16h15.
6 de novembro (sexta-feira): 13h30 e 16h15.
Atividades educativas: material didático impresso para os estudantes, oito palestras de mediação educativa antes das apresentações e oito debates com a equipe artística após as sessões

Barraca de Memórias leva histórias de mulheres pioneiras do DF para escolas e espaços comunitários do Guará

Projeto da Todo Público e do Coletivo ENTREVAZIOS faz exibições mediadas de minidocumentário, abre escuta poética com mulheres idosas e amplia acervo online de objetos afetivos que contam uma Brasília fora dos livros 

Uma panela, uma fotografia, um caderno, um retalho de tecido. É a partir de objetos assim, guardados por mulheres que ajudaram a erguer o Distrito Federal, que o projeto Barraca de Memórias – Difusão do Acervo Poético chega ao Guará, uma das regiões mais antigas do DF. Realizada pela Todo Público em parceria com o Coletivo ENTREVAZIOS, a iniciativa circula entre outubro e novembro por escolas públicas e espaços comunitários com exibições de minidocumentário, rodas de conversa entre gerações e a ampliação do Acervo Poético de Objetos (acervo.entrevazios.com.br).

A programação começa com a Barraca de Memórias, no dia 27 de outubro no Centro de Convivência do Idoso no Guará. Um momento de escuta que funciona como o nome diz: um espaço onde mulheres idosas moradoras do Guará compartilham relatos e objetos que guardam a memória da região. Tudo o que for registrado passa a integrar o acervo online, que ganha novas narrativas. De 3 a 19 de novembro, o projeto faz 10 exibições mediadas do minidocumentário Barraca de Memórias, cada uma seguida de bate-papo e lanche. Duas sessões contam com intérprete de Libras e duas com audiodescrição. As exibições acontecerão em espaços como a Casa de Cultura do Guará, o Centro de Referência em Assistência Social do Guará, Unidades Básicas de Saúde, Escolas Públicas, entre outras. Nos dias 10 e 11, as sessões também serão abertas ao público e acontecerão no Auditório da Administração do Guará. 

Memória contra o apagamento

A proposta é reconhecer as mulheres idosas como guardiãs da memória e protagonistas da construção de Brasília, uma história que costuma ficar fora dos registros oficiais. Ao levar o projeto para jovens e, também, para pessoas idosas, o projeto aposta no encontro entre gerações que vivem no mesmo território: quem chegou primeiro e construiu a cidade, e quem herdou essas paisagens.

“Realizar a Barraca de Memórias no Guará é uma escolha que dialoga profundamente com a própria proposta do projeto. O Guará é um território importante para a construção da memória do Distrito Federal e, ao longo da pesquisa e da pré-produção, percebemos também a presença muito significativa da população idosa na região e a força das iniciativas comunitárias voltadas para esse público. Por isso, estar no Guará é também uma forma de reconhecer esse território, criar espaços de escuta e valorizar as histórias de vida de quem ajudou a construir a cidade. Acreditamos que preservar a memória é, sobretudo, reconhecer as pessoas e os territórios que fazem parte dela.” Afirma Luênia Guedes, coordenadora do projeto.

O Acervo Poético de Objetos reúne anos de pesquisa do Coletivo ENTREVAZIOS. A Barraca de Memórias já passou por Planaltina, Vila Planalto, Paranoá, Núcleo Bandeirante, Brazlândia, Candangolândia, Vila Telebrasília, Fercal e Taguatinga. No site, as histórias estão organizadas por região e podem ser acessadas de qualquer lugar.

“Levar este acervo para um site é dar permanência às vozes que a história tradicional frequentemente silencia. São mulheres que não apenas testemunharam a construção de Brasília, mas foram seus verdadeiros alicerces — com suas mãos, seus afazeres, seus sonhos e sua coragem de resistir e ficar. Elas não só ficaram: fizeram quintal, criaram laços, tornaram este chão habitável e cheio de afeto. Agora, suas memórias não se perdem no tempo. Cada panela, cada fotografia, cada história costurada no afeto vira patrimônio vivo, acessível a todos”, explica a artista e pesquisadora Maysa Carvalho.

Sobre o Coletivo Entrevazios

Criado em 2014, o grupo vem propondo reflexões e diálogos contínuos sobre Brasília e suas poéticas, investigando as intersecções da cidade, arte, memória e os corpos que a atravessam.  Os desdobramentos artísticos do Coletivo incluem trabalhos como: o Livro de Artista ENTREVAZIOS (2014); a intervenção urbana O Estrangeiro (2015); a exposição instalativa De Ver Cidade - Brasília numa caixa de brincar (2019 e 2025); a intervenção poética de teatro de animação Lourença (2021); o minidocumentário Barraca de Memórias (2023); a exposição Percursos Inventados (2023); o espetáculo Carrego O Que Posso, Faço Quintal Onde Dá (2024 a 2026); as visitas teatralizadas com Cidade Espetáculo - Aventura nos Três Poderes (2024 e 2025), a exposição Memória Migrante - Mostra Acervo Poético (2025) e o projeto Barraca de Memórias (2026).

Sobre a Todo Público

 A Todo Público é uma iniciativa especializada na sensibilização de públicos e na democratização do acesso à arte, à cultura e ao patrimônio. Desenvolve ações educativas e interativas que transformam espaços culturais em ambientes acessíveis, pautadas pela educação patrimonial, pela mediação artística e pela acessibilidade cultural social. Atua com mediação cultural, programas educativos, acessibilidade, mobilização de público e coordenação pedagógica. Entre suas realizações estão trabalhos como: a consultoria de programação do MAB Educativo (2019 a 2023); a curadoria e acessibilidade da mostra Percursos Inventados – Entrevazios (2023); a coordenação pedagógica de Cidade Espetáculo: Aventura nos Três Poderes (2024); a coordenação de metodologias do projeto Só Taguá Têm, com Instituto Soma e IPHAN (2025); a mobilização de público e a coordenação de acessibilidade do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro e do DF Instrumental (2025); e, em 2026, a coordenação pedagógica do programa educativo da Praça dos Três Poderes.

SERVIÇO

Projeto Barraca de Memórias – Difusão do Acervo Poético

Escuta poética (Barraca de Memórias): 27 de outubro 

Exibições mediadas do minidocumentário e bate-papo: de 3 a 19 de novembro

Acervo Poético de Objetos: acervo.entrevazios.com.br

Informações e programação completa em: @entrevazios


Espetáculo “Sobre Pedras” une guerra e recomeços no palco e oferece sessões gratuitas a estudantes do Ensino Médio da Estrutural

Ensino Médio do Centro Educacional 01 da Estrutural vão assistir gratuitamente a “Sobre Pedras”, espetáculo escrito e interpretado por Iury Persan que parte do cenário de uma guerra para falar de perdas e recomeços. São oito sessões, de 27 a 29 de outubro de 2026, no auditório do Espaço Cultural CREAS: seis exclusivas para alunos do Centro Educacional 01 da Estrutural e duas abertas à comunidade.

Um homem diante dos escombros

Depois de um ataque, um homem retorna às ruínas da própria casa e procura a esposa, a filha e a mãe. Entre objetos quebrados, tenta reconstruir não só um espaço físico, mas aquilo que dava sentido à sua vida: imagina pratos sobre uma mesa que já não existe, serve uma refeição, espera pela família. Com restos de brinquedos, monta uma pequena casa. Uma flor vira lembrança do amor; uma antiga canção de ninar traz de volta o acolhimento materno.


Iury Persan, autor do texto e ator em cena, explica o ponto de partida. “A trajetória do personagem nos coloca diante de uma pergunta fundamental: o que resta de nós quando perdemos o lugar, as pessoas e as certezas que davam sentido à nossa existência?", questiona Iury Persan. Embora o cenário seja o da guerra, a peça dialoga com batalhas do cotidiano, como a perda, a separação, a falta de trabalho, a solidão e a violência.

Teatro de corpo, sombra e silêncio

A dramaturgia é conduzida pelo corpo, silêncio, sonoridade e objetos, com recursos visuais como teatro de sombras. A linguagem nasce da pesquisa de Iury sobre a relação entre corpo e espaço, desenvolvida no laboratório cênico da Cia. Carcaça. "A casa destruída não é apenas o lugar onde a história acontece: ela age sobre o personagem, impõe limites, desperta lembranças e modifica seus movimentos", conta o ator. Para ele, não se trata "simplesmente de retirar o texto falado, mas de construir uma dramaturgia em que a imagem, o movimento, a luz e a matéria tenham a mesma importância da palavra".

Por que levar a peça aos estudantes

Moradia, família, memória, perdas, desigualdades e o direito de construir um futuro estão entre os temas que o espetáculo abre para conversa com os jovens. “É, sobretudo, uma oportunidade de olhar para o mundo a partir de uma perspectiva que nem sempre ocupa o centro das discussões em sala de aula: a visão de quem precisa lutar para preservar aquilo que lhe é mais essencial: a vida".

A história da própria Cidade Estrutural, marcada pela luta por moradia e pela construção de uma comunidade, entra nessa conversa. "Conhecer essa trajetória permite que os jovens compreendam que o lugar onde vivem não surgiu por acaso: ele é resultado de processos históricos, de decisões políticas, de condições econômicas e, principalmente, das ações de pessoas que construíram suas vidas naquele território", afirma. Iury ressalva que a experiência do personagem não equivale à realidade dos estudantes: a proposta não é transformar dificuldades sociais em imagens de guerra, e sim despertar perguntas sobre dignidade humana, direito à moradia e vínculos afetivos. "O teatro não precisa explicar aos jovens o que devem pensar; pode oferecer imagens, experiências e perguntas que os ajudem a elaborar suas próprias interpretações", conta.

Mediação e debate

Em todas as apresentações, uma mediação antecede o espetáculo e, ao final, estudantes, docentes, ator e equipe técnica participam de um debate. Alunos e professores recebem ainda um programa educativo com material didático impresso. As sessões de 28 de outubro, às 10h e às 16h, têm acessibilidade em Libras.

"Espero que o público leve consigo mais perguntas do que respostas prontas", diz Iury, que quer ver a conversa passar por "memória, pertencimento, perda e reconstrução" sem igualar histórias diferentes nem simplificar suas complexidades.

Ao final, uma pequena casa feita de peças de brinquedo permanece em cena. Para o autor, a imagem ajuda a perceber "que uma casa é muito mais do que suas paredes e que uma ruína não representa apenas aquilo que foi destruído, mas também aquilo que permanece". 

O projeto é realizado com recursos do Fundo de Apoio à Cultura (FAC) da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal.

Sobre o autor

Iury Persan é ator, dançarino, palhaço e dramaturgo, formado em Artes Cênicas pela Universidade de Brasília. Estreou no teatro em 2007 e já foi premiado como melhor ator em festivais como o LUPA (2010), o FESTTO, em Teófilo Otoni (2014), e o de Guaçuí (2017). Integrou grupos como Cutucart, Coletiva Teatro e Teatro dos Ventos e levou trabalhos a Chicago (2016), Atenas (2019) e Lisboa (2024). Em 2023, estreou O Homem Raio, que escreve, dirige e interpreta no laboratório cênico Carcaça. Em 2025, integrou o elenco de Um Lapso de Ouro e Vinho, em temporadas nos SESC Presidente Dutra e Paulo Autran e no Espaço H2O, pelo Festival Nacional de Teatro de Bolso, com sucesso de crítica e público.

SERVIÇO

Sobre Pedras, de Iury Persan

Local: Auditório do Espaço Cultural CREAS, Administração Regional da Cidade Estrutural

Classificação indicativa: 14 anos

Programação:

27 de outubro: sessões às 10h e às 16h (estudantes); às 20h, sessão aberta ao público espontâneo

28 de outubro: sessões às 10h e às 16h, com acessibilidade em Libras (estudantes); às 20h, sessão aberta ao público espontâneo

29 de outubro: sessões às 10h e às 16h (estudantes)

Informações: @c1produtora


Últimas sessões de “Encantaria” em 2026 levam o rei encantado de volta a Sobradinho

 Últimas sessões de “Encantaria” em 2026 levam o rei encantado de volta a Sobradinho

Companhia IPADÊ encerra o projeto Circulação Encantada nos dias 5 e 6 de outubro, com quatro apresentações gratuitas que retomam o debate sobre fé, mito e falsos salvadores iniciado na temporada de abril

Seis meses depois de estrear no Teatro de Sobradinho, “Encantaria” volta ao mesmo palco para se despedir de 2026. Nos dias 5 e 6 de outubro, segunda e terça-feira, a companhia IPADÊ faz as quatro últimas apresentações do projeto Circulação Encantada, com sessões às 15h e às 20h e entrada gratuita. É a última chance do ano de assistir à montagem dirigida por Ricardo César, que parte do mito de Dom Sebastião para discutir como a esperança popular pode ser capturada por promessas de salvação.

A primeira temporada ocupou o teatro entre 13 e 15 de abril, com seis sessões voltadas prioritariamente a estudantes da rede pública, que chegaram ao espetáculo com transporte gratuito. Parte das apresentações contou com audiodescrição e interpretação em Libras, e todas foram seguidas de palestras de mediação e debates entre elenco e plateia. 


Em cena, o rei português desaparecido na Batalha de Alcácer-Quibir, em 1578, reaparece como presença espiritual da encantaria maranhense, tradição religiosa afro-indígena que o acolheu em seus rituais de canto, dança e devoção. A encenação em arena aproxima intérpretes e espectadores, enquanto máscaras, bonecos e objetos cênicos criam a atmosfera de ritual que conduz o espetáculo.

A partir desse universo, a peça costura referências do litoral maranhense, dos movimentos messiânicos do sertão nordestino e das culturas afro-ameríndias para olhar o Brasil de hoje. Estão no centro da montagem a fabricação de messianismos, a figura do salvador que promete e não chega e a circulação de narrativas que mobilizam a fé em um país atravessado pela polarização e pela desinformação.

A pesquisa começou no primeiro ano da pandemia, ainda em formato virtual, depois que Ricardo César e o ator Martin Filho conheceram a lenda de Dom Sebastião em uma viagem a São Luís. Na tradição maranhense, as princesas Toya Jarina, Mariana e Erundina são tidas como filhas míticas do rei e se manifestam em médiuns. Músicas, vestuário e o corpo dos participantes nos rituais viraram matéria-prima de uma criação coletiva, feita pela metodologia do teatro colaborativo. “O processo colaborativo é uma forma de trabalhar de forma autoral, em que todos os envolvidos levam propostas e provocações para a cena. É um formato enriquecedor artisticamente porque gera uma verdadeira troca de conhecimentos entre a equipe”, afirma o diretor, mestre em Teatro pela Universidade de Brasília.

Ao longo das duas temporadas, a aposta do Circulação Encantada foi levar jovens ao teatro e ligar a experiência artística à reflexão sobre história e pensamento social. “Isso é importantíssimo porque colabora para a formação de plateias, estimula os alunos a irem ao teatro e a pesquisar mais sobre a linguagem artística”, destaca Ricardo César.

 O projeto é realizado com recursos do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal (FAC-DF).

Serviço

Encantaria – Projeto Circulação Encantada

Data: 5 e 6 de outubro de 2026

Horário: 15h e 20h

Local: Teatro de Sobradinho

Acesso: gratuito

Classificação indicativa: 14 anos


As mulheres que fizeram Brasília viram cena em "Candangas Palavras"

A história de Brasília costuma ser contada por nomes masculinos: arquitetos, engenheiros, políticos e operários. O projeto "Candangas Palavras – Mulheres e Memórias Capitais" conta outra parte dessa história. Entre 29 de setembro e 9 de outubro de 2026, o projeto apresenta a estudantes do Gama quatro performances sobre mulheres que chegaram, trabalharam, resistiram e ajudaram a construir o Distrito Federal.

As apresentações e ações do projeto começam no Centro Educacional 01 do Gama, nos dias 29 e 30 de setembro e 1º de outubro, sempre à tarde. De 7 a 9 de outubro, a temporada segue no Centro de Ensino Fundamental 10 do Gama, com sessões pela manhã e à tarde. No dia 8 também haverá sessão à noite.


Teatro, Educação e Patrimônio Imaterial

O projeto, com coordenação pedagógica de Sulian Vieira e direção teatral de Jemima Tavares, propõe atividades interdisciplinares com escolas públicas para reconhecer o protagonismo histórico das mulheres candangas, com ênfase em práticas teatrais.

A primeira etapa do projeto permite que os professores da escola parceira convidem os estudantes a conhecerem as histórias de mulheres de suas famílias ou vizinhança, com foco em suas experiências de vida e trabalho ao chegarem ao DF. Na segunda, são apresentadas as performances nas quais fragmentos da história da capital são contados a partir de vivências subjetivas das mulheres, destacando o protagonismo feminino. Nesse contexto, são conduzidos jogos e exercícios teatrais com alunos e professores para transformar as histórias e narrativas trazidas pelos estudantes em trocas criativas.

O projeto prevê o acesso dos professores ao acervo da pesquisa histórica produzida para o projeto e às propostas de atividades pedagógicas - como jogos teatrais e roteiros para entrevistas. Os professores interessados podem desenvolver outros projetos sobre protagonismo feminino na história do DF, a partir deste acervo.


Histórias reais como matéria-prima

A dramaturgia das performances nasceu de entrevistas do Programa de História Oral do Arquivo Público do Distrito Federal e integra o projeto de doutoramento de Jemima Tavares junto ao Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas da UnB. Ainda foram usados outros materiais arquivísticos como fotografias, manchetes de jornal, mapas e dados sobre as mulheres no DF e do próprio Gama, cidade que recebe as ações nas quais as quatro performances desempenham papel de formação e de estímulo à invenção.


Segundo a diretora, a seleção dos depoimentos mostrou essa diversidade. "Cada história escolhida tem sua especificidade, porque mostra a diversidade das mulheres que sempre ocuparam essa cidade. Tem histórias muito mirabolantes, que a gente se pergunta se aquilo aconteceu mesmo. Tem outras em que a gente consegue visualizar a cena completa cabeça somente pela descrição dos fatos. E outras ainda lembram nossas famílias, mães, avós", conta.

Para levar esse material à cena, ela também trouxe as próprias memórias. "Pensei primeiro na dramaturgia, lembrando de toda a minha infância no Gama: expressões dos meus avós, figuras da cidade, monumentos e histórias que ouvi da família, para compor junto com as entrevistas do Arquivo Público", explica.

O resultado são quatro performances narrativas solo, de cerca de 20 minutos cada. Elas contam trajetórias de mulheres com trabalhos e modos de vida diversos: empreendedora, lavadeira, estudante, dona de casa, feirante, andarilha, entre outras.

As cenas falam de injustiças sociais na ocupação do território para a construção da capital e nas diversas conquistas de direitos pelas mulheres e tocam em temas que continuam atuais, como violência contra a mulher, dupla e tripla jornada, trabalho doméstico e abandono parental.

O projeto é realizado pelo Grupo de Pesquisa Vocalidade & Cena (UnB), com recursos do Fundo de Apoio à Cultura (FAC) da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal.


SERVIÇO

Candangas Palavras - Memórias e Mulheres Capitais       

Centro Educacional 01 do Gama     

29 e 30 de setembro e 1º de outubro de 2026 (terça a quinta)     

Sessões à tarde: 13h30 às 15h e 16h às 17h30        

Centro de Ensino Fundamental 10 do Gama          

7, 8 e 9 de outubro de 2026 (quarta a sexta)          

Manhã: 8h às 9h30 e 10h30 às 12h. Tarde: 13h30 às 15h e 16h às 17h30. Noite (somente dia 8/10): 19h30 às 21h.  



Ficha Técnica

Sulian Vieira - Coordenação e Direção Vocal

Jemima Tavares - Direção e Dramaturgia

Ingrid Soares, Isumy Kudo, Luíza Veloso e Maria Tuti Luisão - Elenco

César Lignelli  - Desenho de Som

Marley Oliveira - Cenografia

Ana Clara Neves - Figurino

Studio Jana Ferreira - Designer Gráfico

Jéssica Laranja - Fotografia

Gabriel Vilela - Iluminador

Luiz Medeiros - Maquiagem e Cenotécnica

Thiago Sabino - Projeção Mapeada

Karoline Pacheco Santos - Assessoria em História e Patrimônio

Sonia Tavares - Assessoria Pedagógica

C1 arte e entretenimento - Gestão Administrativa e Produção

Paula Jacobson e Gleidson Lopes - Produtores Assistentes

Tia Nilza - Monitoria de Estudantes/Camarim

Camila Maxi - Assessoria de Imprensa

Lunares Ayla - Social Media

Clipping

A Baú Comunicação Integrada oferece aos seus clientes no final do contrato um clipping. Podemos dizer que o clipping é um processo que consiste no monitoramento constante de matérias jornalísticas, para que sejam coletadas aquelas que fazem menção a uma determinada empresa. Com essas informações devidamente organizadas, é possível elaborar relatórios que auxiliam a empresa a disseminar informações de forma mais planejada, além de serem fundamentais para toda a gestão da informação. Atualmente, as empresas que oferecem esse serviço disponibilizam uma ampla cobertura que pode ir desde os sites e jornais impressos até as rádios e os canais de televisão, isso sem contar no monitoramento de opiniões dos leitores nessas mídias. Dessa forma, é possível que a empresa tome conhecimento de qualquer tipo de veiculação relacionada a ela e acompanhe o desempenho das ações de seu assessor. Fonte: Vinicius Santos, do Dino Blog



Contato
Michel Toronaga
61 98185-8595
Brasília - DF